Pensamento Sistêmico nas organizações

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Por que pensar sistemicamente?

Posted by josuevitor em fevereiro 4, 2011

Diariamente, os gestores se deparam com problemas e oportunidades e necessitam tomar decisões. Não há gestão sem decisão. O problema é que na maioria das vezes essas decisões não geram os resultados esperados, ao contrário, em alguns casos pode até contribuir para agravar ainda mais os problemas organizacionais.

A disciplina do pensamento sistêmico, que será mais detalhada nos próximos posts, vem ao encontro de uma necessidade cada vez mais latente: a de proporcionar soluções eficientes e duradouras em todas as nossas decisões.

O presente blog está voltado para a aplicação do pensamento sistêmico nas organizações cujo objetivo é dar um apoio teórico e prático de como essa disciplina pode ajudar aos gestores a tornarem-se conscientes da importância do aprendizado constante em seu cotidiano, a partir do desenvolvimento de uma visão sistêmica sobre questões organizacionais.

A maioria dos gestores está sempre pressionada por resultados, fazem mil e uma coisas e reclamam que não possuem tempo para “pensar”. Mas é chocante e norteador (acho que nem é tão surpresa assim) saber que a maior parte do tempo gasto por eles é subaproveitada. Vale ressaltar que o dia – a dia desses gestores é muito focado no imediatismo: a avaliação de desempenho e de resultados, os retornos financeiros, etc.

Como afirma um dos principais pensadores em pensamento sistêmico nas organizações, Peter Senge, sobre as características das empresas líderes nesse novo século: “parece que elas são caracterizadas pela maior distribuição do poder decisório, pela liderança de indivíduos em todos os níveis e pelo desenvolvimento do pensamento sistêmico como forma de incrementar o pensamento reducionista tradicional. SENGE (2006, p.11)

Senge portanto, afirma que organizações líderes buscam desenvolver o pensamento reducionista através da adoção do pensamento sistêmico. Estas formas de pensamento devem ser melhor detalhadas. A figura exibida a seguir apresenta as principais características que diferenciam estas duas formas de pensamento:

Roda do Pensamento Sistêmico. Fonte: Gratuliano, 2010.

Para introduzi-los nesse “admirável modo de pensar novo” e explorar melhor as características das formas de pensamento da figura, vamos apresentar um caso real de uma das maiores empresas do mundo: a Coca-Cola, no próximo post.

REFERÊNCIAS

SENGE, Peter M. A Quinta Disciplina: arte e prática da organização que aprende. 21. ed. Rio de Janeiro: Bestseller, 2006.

GRATULIANO, João. Introdução ao Pensamento Sistêmico – Parte I. Disponível em  http://pensamentosistemico.wetpaint.com.

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Caso da Coca-Cola: gestão sistêmica dos recursos hídricos

Posted by josuevitor em fevereiro 4, 2011

Um dos maiores desafios da humanidade nesse século XXI é sem dúvida em relação ao desenvolvimento sustentável, especialmente no que diz respeito à gestão hídrica.

A Coca-Cola Company é uma das maiores organizações consumidoras de água do planeta. A empresa se empenha nessa luta pelo gerenciamento hídrico eficaz há muito tempo, mas a luta estava dentro de seus muros: a ênfase era a eficiência operacional de suas fábricas. Entretanto, os desafios ambientais atuais, assim como a maioria dos desafios organizacionais, requerem mais do que uma visão voltada para dentro da organização.

Para adotar uma visão sistêmica em relação à questão hídrica, a Coca – Cola passou por conflitos externos. Um destes conflitos ilustra bem o problema: em Kerala, sul da Índia, entre 2004 e 2005, enquanto a população enfrentava uma seca de três anos, os caminhões da empresa saíam da unidade de engarrafamento local todos os dias sem nenhuma aparente dificuldade.

Isso revoltou a população local, principalmente as mulheres do país, que realizaram manifestações para expulsar a gigante multinacional. Segundo a empresa, a mesma estava utilizando um aquífero profundo, não tendo relação hidrológica com a água da qual utilizavam os moradores.

Além da pressão popular em várias regiões do mundo que ocasionou uma imagem negativa, a empresa também parece ter sido motivada para lidar com este problema de maneira mais sistêmico e resolvê-lo. O aumento dos custos e a competição cada vez maior por água tornou-se iminente, na visão da empresa.

Em vez de encarar como um problema isolado ou restrito a determinadas regiões em que atua, eles estavam começando a perceber a interconexão dos eventos. Além disso, enxergaram ou admitiram o que a maioria das pessoas não fazem: se perceber como causador dos próprios problemas em vez de procurar culpados, dado que a companhia é uma grande consumidora de recursos hídricos.

Esse ponto é extremamente importante, pois a água até então não era vista como fator estratégico para nenhuma empresa, justamente por ser encarada como um problema local (por que se preocupar com algo que afeta apenas pouquíssimas unidades?).

Essa nova mentalidade foi o propulsor de um verdadeiro envolvimento de todo os trabalhadores da empresa em todo o mundo.

Só que o verdadeiro triunfo da Coca-Cola nesse caso é a forma de atuação no combate ao problema. A maioria das pessoas reage aos eventos: nesse caso, seriam feitos investimentos em lobby, a empresa emitiria notas oficias com termos técnicos isentando-a de culpa ou até mesmo mudaria suas unidades de engarrafamento para lugares onde não tivessem esse tipo de problema. Nesta perspectiva, a reação aos eventos é como apagar incêndios, funciona no curto prazo, mas eles acabam tornando-se às vezes até mais fortes.

O que deve ser feito é olhar para o sistema mais amplo e perceber o que vem causando os “incêndios” e buscar soluções que sejam efetivas e duradouras.

Mas como encontrar uma solução eficaz em um problema tão complexo como esse? Jeff Seabright, vice-presidente de meio ambiente e recursos hídricos na época, afirmou que quando assumiu esse cargo perguntou sobre a estratégia da empresa sobre o tema. A resposta: vários relatórios volumosos, cheios de análises técnicas detalhadas, mas que não exerceram nenhum impacto estratégico.Por quê?

Vivemos em um mundo em que para resolver qualquer problema não devemos nos ater apenas nos detalhes, mas atentar também para a complexidade dinâmica, em que ocorre  interações e dinamismo de todas as partes do sistema. É importante olharmos os detalhes, mas devemos prestar atenção nas árvores e nas florestas. Senge (2006, p.102) explica o conceito:

“situações nas quais causa e efeito são sutis, nas quais os efeitos das intervenções, ao longo do tempo não são óbvios. (…) quando uma mesma ação provoca efeitos drasticamente diferentes a curto e longo prazos.(…) Na maioria das situações gerenciais, a verdadeira alavancagem está em compreender a complexidade dinâmica, e não a complexidade de detalhes.”

Para isso, a empresa firmou parceria com ONG WWF e juntos atuaram no gerenciamento hídrico em toda a cadeia de valor, pois perceberam que de nada adiantaria a eficiência dentro das fábricas se nas outras partes da cadeia produtiva havia desperdício. Era necessário o trabalho em toda a parte do sistema.

Outro ponto que devemos destacar é a atuação nas causas dos problemas e não nos efeitos, como a maioria das organizações faz. Ao lado da WWF, a companhia percebeu que por ela ser global deveria atuar de uma forma sistêmica e que causasse o maior retorno em relação à preservação de aquíferos e ao gerenciamento hídrico eficaz. Com isso, foram realizados trabalhos em 7 grandes sistemas hidrográficos em todo o mundo, nos quais envolviam diretamente engarrafadores, população e ONG’s.

Para realizar trabalhos como combate a poluição, preservação, escassez  ou intermediação de conflitos relacionados à água é necessário trabalhar no nível de bacias hidrográficas, pois elas são um sistema ecológico que abrangem vários organismos viventes em determinada área, ou seja, é o lugar onde a dinâmica atinge seu alto grau de existência.

Atualmente, a Coca-Cola caminha para o desenvolvimento sustentável. Isso se deve principalmente a sua coragem e sensatez de encarar o problema face-to-face e de adotar uma visão holística (a de compreender o todo, de entender as interações entre as partes componentes do sistema) e não uma visão reducionista a qual estamos acostumados e adotamos nas nossas decisões: a de fragmentar um problema em várias partes, pois temos a ideia de que não se pode resolver o problema analisando vários aspectos ao mesmo tempo.

Mas isso traz um efeito colateral sem precedentes, não conseguimos realizar o que nós pretendemos. “Ao tentar fragmentar o problema, perde-se a noção intrínseca da conexão com o todo”. (SENGE, 2006, P.37) Devemos pensar sistemicamente: todos os elementos são interdependentes e que causam efeitos mútuos uns nos outros.

REFERÊNCIA

SENGE, Peter M. A quinta disciplina: arte e prática da organização que aprende. 21. ed. Rio de janeiro: Bestseller, 2006.

O caso da Coca-Cola foi extraído de: SENGE, Peter  et  alA  Revolução  Decisiva:  como  indivíduos  e  organizações  trabalham  em parceira para criar um mundo sustentável. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.

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O que é Pensamento Sistêmico?

Posted by josuevitor em fevereiro 4, 2011

Agora já podemos definir o pensamento sistêmico. Podemos compreender este conceito como uma forma de pensamento que objetiva enxergar o todo – indo de encontro ao reducionismo, visto em post passado – detectar padrões e inter-relacionamentos, atendo-se principalmente à complexidade dinâmica, e aprender a reestruturar essas inter-relações de forma mais harmoniosa (GRIFFITH, 2008).

É considerada uma disciplina, pois é um “corpo de teoria e técnica as quais devem ser estudadas e dominadas para serem colocadas em prática” (SENGE, 2006 p.44).

Tal disciplina vem sendo moldada há algum tempo sofrendo influências de várias correntes de pensamento tal como de várias áreas do conhecimento. Dentre elas, podemos destacar a Dinâmica de Sistemas (DS) e a Teoria Geral dos Sistemas (TGS), abordada em outros posts.

REFERÊNCIAS

GRIFFITH, J. J.  A disciplina do pensamento sistêmico. Viçosa, MG: Universidade Federal de Viçosa, Departamento de Engenharia Florestal, 2008.

SENGE, Peter M. A quinta disciplina: arte e prática da organização que aprende. ed.21. Rio de janeiro: Bestseller, 2006.

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Dinâmica de Sistemas: breve histórico

Posted by josuevitor em março 14, 2010

DINÂMICA DE SISTEMAS

A Dinâmica de Sistemas surgiu no MIT – Massachusets Institute of Technology – principalmente decorrente do trabalho de Jay Forrester que durante a década de 1950, na época engenheiro elétrico deste Instituto, trabalhou em tecnologia para controle de radares e armas, e posteriormente abandonou a engenharia e passando a dedicar-se à Administração. (ANDRADE, 1997).

A Dinâmica de Sistemas tem como um dos principais objetivos o entendimento da evolução de um sistema ao longo do tempo, tendo como principal premissa o fato de que o comportamento de um sistema é determinado por sua estrutura interna (STERMAN, 2000)

Segundo Folledo (2000) a Dinâmica de Sistemas toma como base duas ferramentas para descrever as interações dos componentes dos sistemas: a utilização de diagramas causais (que são qualitativos) e de fluxos e estoques (que são quantitativos) e a aplicação da simulação para a análise do comportamento dos sistemas.

Caso você tenha interesse em conhecer como nasceu a área de Dinâmica de Sistemas e certas coincidências e acasos que contribuíram para seu desenvolvimento, do ponto de vista do próprio Jay Forrester, acesse http://sysdyn.clexchange.org/sdep/papers/D-4165-1.pdf.

Neste artigo, o criador da DS aborda seu início enquanto engenheiro, e as aplicações na área de Gestão Organizacional (que originou o livro “Industrial Dynamics”), Planejamento Urbano (que originou o livro “Urban Dynamics”), e questoes mundiais, abordadas no clube de Roma (que originou o livro “World Dynamics”).

Podemos considerar a Dinâmica de Sistemas como uma abordagem ‘Hard’ ao Pensamento Sistêmico, pois permite se exercitar princípios desta área durante a construção de modelos e simulações na área de negócios.

REFERÊNCIAS

ANDRADE, Aurélio de Leão. Pensamento sistêmico: um roteiro básico para perceber as estruturas da realidade organizacional. REAd , ed.5, v.3, n. 1, maio/jun. 1997

STERMAN, John , Business Dynamics: Systems Thinking and Modeling for a Complex World, Irwin/McGraw-Hill,  2000.

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Teoria Geral dos Sistemas

Posted by josuevitor em março 12, 2010

Dentre as teorias ou escolas abordadas nas disciplinas de Teoria da Administração, uma dela é o enfoque sistêmico. Diante das demais teorias (clássica, comportamental e quantitativa) que na ocasião consideravam a organização enquanto uma entidade ‘isolada’ dado que se preocupavam com outros aspectos, a teoria Geral dos Sistemas trouxe para o estudo das organizações uma nova perspectiva, centrada no fato de que os processos organizacionais estão interrelacionados e suas áreas internas não estão isoladas e que a organização interage com o ambiente, havendo um fluxo constante de informações.

A Teoria Geral dos Sistemas (TGS) surgiu a partir de estudos de cientistas de várias áreas, e muitos autores dão ao biólogo Bertallanfy a autoria da área. A TGS objetivou, desde o início, contribuir para o desenvolvimento científico através do estudo de conhecimento em áreas relacionadas e não apenas áreas específicas.

De acordo com Oliveira & Portela (2006, p. 167) “a teoria geral dos sistemas tem como objetivo estudar os elementos que compõem um sistema, assim como a interação entre eles, pois o estudo de cada um isoladamente não leva a uma conclusão exata do sistema em que esses elementos estão inseridos, já que as interações entre eles são fundamentais para o entendimento do sistema como um todo”.

A TGS tem como objeto de estudos os “sistemas”, definidos como um conjunto de elementos que possuem relação entre si com alguma finalidade e que comumente interagem com o ambiente. Esses são os 4 CARACTERISTICAS BASICAS de qualquer sistema.

Existem algumas “leis universais” sobre os sistemas como, por exemplo (CHIAVENATO, 1993):

  • Todo sistema é composto por subsistemas, ou seja, ele pode ser decomposto em várias partes;
  • Todo sistema se expande, ou seja, faz parte de um sistema maior;
  • Homeostase: o sistema sempre tende ao equilíbrio;
  • Sinergia: as partes do sistema podem interagir para fazer algo que as partes trabalhando isoladamente não conseguiriam.

A TGS objetivou, desde o início, contribuir para o desenvolvimento científico através do estudo de conhecimento em áreas relacionadas e não apenas áreas específicas.

Atualmente, várias áreas já incorporaram ao seu campo de estudos os “sistemas”, sejam urbanos, estratégicos, biológicos, de engenharia, etc. Pelo exposto nesse tópico a TGS tem os seguintes propósitos (ANDRADE et al. 2005)

• Integração das várias ciências, naturais e sociais;

• Centralização desta integração em uma teoria geral dos sistemas;

• Busca da construção de uma teoria exata nos campos não-físicos da ciência;

• Desenvolvimento de princípios unificadores que atravessam “verticalmente” o universo das ciências individuais;

• Integração com a educação científica.

A teoria Geral dos Sistemas trouxe para o estudo das organizações uma nova perspectiva, centrada no fato de que os processos organizacionais estão inter-relacionados e suas áreas internas não estão isoladas e que a organização interage com o ambiente, havendo um fluxo constante de informações.

Assim, a TGS influenciou fortemente áreas da Administração como a gestão da qualidade, teoria das decisões, dentre outras, através de conceitos como homeostase (necessidade de equilíbrio entre a organização e seu ambiente), feedback, inputs e outputs, dentre outros.

REFERÊNCIAS

ANDRADE, Gilberto Keller de; CIDRAL, Alexandre; AUDY, Jorge Luis Nicolas. Fundamentos de sistema de informação. Cap. 1, 2 e 3. Bookman, 2005.

CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral da Administração. Cap.15,16 e 17. 4. ed. São Paulo: Makron, 1993.

OLIVEIRA, Josildete Pereira de; PORTELA, Lara Oliveira Viana. A cidade como um sistema: reflexões sobre a teoria geral de sistemas aplicada à análise urbana. Perspectivas Contemporâneas, Campo Mourão, v. 1, n. 2, p. 164-182, nov./maio 2006.

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